Perdas de água na distribuição: os números e a meta de 2033
O que o SINISA mostra das perdas no Brasil, a meta de 25% da Portaria 490/2021, a diferença entre perda real e aparente, os indicadores certos e por onde começar a reduzir.

De cada dez litros de água tratada que os sistemas de abastecimento brasileiros produzem, cerca de quatro não chegam ao consumo medido. O número vem do SINISA, o sistema nacional de informações em saneamento, e é o ponto de partida de qualquer conversa sobre eficiência no setor.
Os números
- Pelo SINISA 2024, com dados de 2023, a perda média na distribuição no Brasil foi de 40,3%, segundo estudo do Instituto Trata Brasil com a GO Associados. As regiões Norte e Nordeste ficam acima da média.
- A Portaria 490/2021 do Ministério do Desenvolvimento Regional amarra o acesso a recursos federais a metas de redução, com o índice de perdas na distribuição chegando a 25% em 2033 e 2034.
- A Lei 14.026/2020, o Marco Legal do Saneamento, fixou para o fim de 2033 as metas de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.
Perda real e perda aparente
Nem toda perda é vazamento. O balanço hídrico usado internacionalmente separa:
- Perda real (física): água que sai da rede e não chega a ninguém. Vazamento em rede e ramal, extravasamento de reservatório.
- Perda aparente (comercial): água que chega ao consumidor mas não é faturada. Hidrômetro que submede, ligação clandestina, fraude, erro de cadastro.
As duas pedem ações diferentes: a real se ataca com pesquisa de vazamento, gestão de pressão e renovação de rede; a aparente, com troca de hidrômetro, cadastro e combate a fraude.
O indicador certo
O índice em porcentagem é o mais citado, mas compara mal sistemas diferentes: ele cai quando o consumo sobe, mesmo que o vazamento continue igual. Para acompanhar a evolução de um mesmo sistema, a perda por ligação por dia é mais honesta, porque não depende do consumo.
Por onde começar
- Setorizar. Dividir a rede em setores com entradas conhecidas, os distritos de medição e controle.
- Medir a entrada de cada setor com macromedidor. Veja macromedidor.
- Acompanhar a vazão mínima noturna de cada setor, o sinal mais claro de vazamento. Veja vazão mínima noturna.
- Gerir a pressão: pressão alta à noite aumenta o vazamento e rompe mais rede.
- Priorizar a pesquisa de vazamento pelos setores que o dado aponta, em vez de varrer a cidade inteira.
- Renovar hidrômetros velhos, a maior fonte de perda aparente.
Onde a IoTData entra
A leitura de macromedidor por pulso, o nível de reservatório, o horímetro de bomba e a rede, com a rede satelital DG entregando em minutos, já existem. A leitura por Modbus e o balanço automático por setor estão em desenvolvimento. Veja macromedição.
Fontes: SINISA 2024 (ano-base 2023), em estudo do Instituto Trata Brasil com a GO Associados (2025); Portaria nº 490/2021 do Ministério do Desenvolvimento Regional; Lei 14.026/2020; metodologia de balanço hídrico da International Water Association.
Macromedidor, reservatório e poço no mesmo painel.
A vazão mínima noturna de cada setor à vista, para achar a perda antes da conta chegar. Um engenheiro nosso responde com o caminho.