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Saneamento

Perdas de água na distribuição: os números e a meta de 2033

O que o SINISA mostra das perdas no Brasil, a meta de 25% da Portaria 490/2021, a diferença entre perda real e aparente, os indicadores certos e por onde começar a reduzir.

Engenharia Data Frontier· Publicado em 11 de setembro de 2026

De cada dez litros de água tratada que os sistemas de abastecimento brasileiros produzem, cerca de quatro não chegam ao consumo medido. O número vem do SINISA, o sistema nacional de informações em saneamento, e é o ponto de partida de qualquer conversa sobre eficiência no setor.

Os números

  • Pelo SINISA 2024, com dados de 2023, a perda média na distribuição no Brasil foi de 40,3%, segundo estudo do Instituto Trata Brasil com a GO Associados. As regiões Norte e Nordeste ficam acima da média.
  • A Portaria 490/2021 do Ministério do Desenvolvimento Regional amarra o acesso a recursos federais a metas de redução, com o índice de perdas na distribuição chegando a 25% em 2033 e 2034.
  • A Lei 14.026/2020, o Marco Legal do Saneamento, fixou para o fim de 2033 as metas de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto.

Perda real e perda aparente

Nem toda perda é vazamento. O balanço hídrico usado internacionalmente separa:

  • Perda real (física): água que sai da rede e não chega a ninguém. Vazamento em rede e ramal, extravasamento de reservatório.
  • Perda aparente (comercial): água que chega ao consumidor mas não é faturada. Hidrômetro que submede, ligação clandestina, fraude, erro de cadastro.

As duas pedem ações diferentes: a real se ataca com pesquisa de vazamento, gestão de pressão e renovação de rede; a aparente, com troca de hidrômetro, cadastro e combate a fraude.

O indicador certo

O índice em porcentagem é o mais citado, mas compara mal sistemas diferentes: ele cai quando o consumo sobe, mesmo que o vazamento continue igual. Para acompanhar a evolução de um mesmo sistema, a perda por ligação por dia é mais honesta, porque não depende do consumo.

Por onde começar

  1. Setorizar. Dividir a rede em setores com entradas conhecidas, os distritos de medição e controle.
  2. Medir a entrada de cada setor com macromedidor. Veja macromedidor.
  3. Acompanhar a vazão mínima noturna de cada setor, o sinal mais claro de vazamento. Veja vazão mínima noturna.
  4. Gerir a pressão: pressão alta à noite aumenta o vazamento e rompe mais rede.
  5. Priorizar a pesquisa de vazamento pelos setores que o dado aponta, em vez de varrer a cidade inteira.
  6. Renovar hidrômetros velhos, a maior fonte de perda aparente.

Onde a IoTData entra

A leitura de macromedidor por pulso, o nível de reservatório, o horímetro de bomba e a rede, com a rede satelital DG entregando em minutos, já existem. A leitura por Modbus e o balanço automático por setor estão em desenvolvimento. Veja macromedição.

Fontes: SINISA 2024 (ano-base 2023), em estudo do Instituto Trata Brasil com a GO Associados (2025); Portaria nº 490/2021 do Ministério do Desenvolvimento Regional; Lei 14.026/2020; metodologia de balanço hídrico da International Water Association.

Saneamento

Macromedidor, reservatório e poço no mesmo painel.

A vazão mínima noturna de cada setor à vista, para achar a perda antes da conta chegar. Um engenheiro nosso responde com o caminho.