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Saneamento

Vazão mínima noturna: como achar vazamento com dado

Por que a madrugada revela o vazamento, o que é preciso para medir por setor, como separar consumo noturno legítimo de perda e o que fazer quando a vazão mínima sobe.

Engenharia Data Frontier· Publicado em 11 de setembro de 2026

Durante o dia, a água que entra num setor de distribuição se mistura com o consumo de todo mundo, e um vazamento se esconde no meio. De madrugada, quase todo mundo está dormindo. A água que continua entrando no setor nessa hora é, em boa parte, vazamento. É por isso que a vazão mínima noturna é o indicador mais usado para achar perda física com dado.

O que é preciso para medir

  1. Setor estanque: uma área da rede com entradas conhecidas e registros de divisa fechados, o chamado distrito de medição e controle.
  2. Macromedidor na entrada, com resolução suficiente para vazão baixa. Medidor que só é preciso na vazão de pico erra justamente de madrugada.
  3. Leitura frequente, a cada poucos minutos, para enxergar o mínimo da madrugada, que dura pouco.
  4. Histórico, porque o que importa é a mudança em relação ao próprio setor.

Separar consumo legítimo de perda

Nem toda água da madrugada é vazamento. Há consumo noturno legítimo: descarga, reservatório residencial enchendo, indústria, hospital, irrigação noturna. A prática é estimar esse consumo, por tipo de ligação e pelos grandes consumidores conhecidos do setor, e tratar o restante como vazamento provável.

O mais útil não é o valor absoluto, mas a tendência:

  • A vazão mínima subiu de um dia para o outro e ficou: vazamento novo.
  • Subiu devagar ao longo de semanas: vazamentos pequenos se somando, ou pressão mais alta.
  • Caiu depois de um conserto: o dado confirma que o reparo resolveu.

O papel da pressão

De madrugada o consumo cai e a pressão na rede sobe. Com mais pressão, o mesmo furo vaza mais. Válvula redutora de pressão, programada para baixar a pressão à noite, diminui o vazamento e o rompimento de rede, e a vazão mínima noturna mostra o efeito na hora.

Do dado ao buraco

A vazão mínima diz em que setor está o vazamento, não em que rua. A partir daí entra a pesquisa de campo: haste de escuta, geofone, correlacionador de ruído. O ganho é mandar a equipe ao setor certo, em vez de varrer a cidade inteira.

O que fazer quando o alarme toca

  1. Conferir se não há causa conhecida: manobra de rede, grande consumidor, reservatório enchendo.
  2. Comparar com a pressão do setor na mesma madrugada.
  3. Mandar a pesquisa de vazamento ao setor.
  4. Depois do reparo, confirmar a volta da vazão mínima ao padrão.

Onde a IoTData entra

A leitura de macromedidor por pulso, o nível de reservatório e a rede, com a rede satelital DG entregando em minutos, já existem, com o histórico de cada setor. O balanço automático por setor e a leitura por Modbus estão em desenvolvimento. Veja macromedição.

Fontes: metodologia de balanço hídrico e de distritos de medição e controle da International Water Association; práticas de controle de perdas em sistemas de distribuição.

Saneamento

Macromedidor, reservatório e poço no mesmo painel.

A vazão mínima noturna de cada setor à vista, para achar a perda antes da conta chegar. Um engenheiro nosso responde com o caminho.