Irrigação de café: quando irrigar e quanto aplicar
Evapotranspiração, coeficiente de cultura, balanço hídrico e sensor de solo: como sair do calendário e irrigar o café pela necessidade da planta, e como calcular a lâmina.

Irrigar café pelo calendário é fácil e caro: gasta água e energia quando o solo ainda tem umidade e atrasa quando a planta já sofre. As duas perguntas que importam, quando irrigar e quanto aplicar, têm resposta técnica, e a resposta sai de dado da própria fazenda.
Quanto de água o café consome
A referência mundial é o método da FAO (boletim de irrigação e drenagem nº 56). Ele separa o consumo em duas partes:
ETc = ETo × Kc
- ETo é a evapotranspiração de referência: quanto uma grama bem regada perderia de água naquele dia, calculada pela equação de Penman-Monteith com temperatura, umidade do ar, vento e radiação solar.
- Kc é o coeficiente de cultura: quanto o café consome em relação a essa referência, que muda com a idade da lavoura, o espaçamento e a fase do ciclo.
A ETo depende do clima do lugar. Dado da estação da cidade vizinha erra em dias de vento, de umidade baixa e de frente fria. Por isso a estação meteorológica na fazenda é a base de todo o resto.
Quando irrigar: o balanço hídrico
O solo funciona como uma caixa d'água. A água disponível é o que o solo segura entre o encharcado e o ponto em que a planta não consegue mais tirar água, e depende da textura do solo e da profundidade das raízes. A cada dia, a conta é:
água no solo de hoje = água de ontem + chuva efetiva + irrigação − ETc
Irriga-se quando o solo gastou uma fração definida da água disponível, antes de a planta entrar em estresse. Essa fração é decisão do agrônomo e muda com a fase do café.
O sensor de solo confere a conta
O balanço hídrico é um modelo, e modelo erra. O sensor de umidade do solo, em duas ou três profundidades, mostra o que de fato acontece na zona das raízes: se a chuva infiltrou, se a irrigação chegou lá embaixo, se o solo está secando mais rápido que a conta previa. Balanço e sensor juntos dão uma decisão mais segura que qualquer um dos dois sozinho.
Florada e estresse controlado
No Cerrado, a pesquisa da Embrapa estudou a suspensão controlada da irrigação no período seco para concentrar a florada e uniformizar a maturação. É uma decisão agronômica, com riscos se feita no momento errado, e depende exatamente do dado de solo e de clima para ser segura.
Quanto aplicar: a lâmina
- Lâmina líquida: a água que o solo gastou desde a última irrigação, até o limite da água disponível.
- Lâmina bruta: a líquida dividida pela eficiência do sistema. Gotejamento bem mantido desperdiça pouco; aspersão e pivô perdem mais para o vento e a evaporação.
- Tempo de irrigação: a lâmina bruta dividida pela intensidade de aplicação do sistema.
Eficiência não é número de catálogo: cai com gotejador entupido e pressão desigual. Veja gotejamento no café.
Onde a IoTData entra
A estação meteorológica, com radiação solar quando tem piranômetro, o horímetro e a medição de vazão já existem e já atendem a outorga. Os sensores de umidade do solo e de pressão de linha estão em desenvolvimento para piloto. Veja café irrigado.
Fontes: FAO Irrigation and Drainage Paper 56, Crop evapotranspiration (Allen, Pereira, Raes e Smith, 1998); Embrapa, pesquisas sobre estresse hídrico controlado no café irrigado do Cerrado.
A água do café medida, e a outorga em dia.
Horímetro, vazão e estação meteorológica já disponíveis; umidade do solo e pressão de linha em piloto. Um engenheiro nosso responde com o caminho.