Excesso e falta de graxa no rolamento: como acertar a relubrificação
Por que graxa demais estraga o rolamento tanto quanto graxa de menos, a conta de quantidade usada pelos fabricantes, o que muda o intervalo e como vibração e temperatura mostram se a dose está certa.

Na manutenção, pouca coisa é tão comum quanto dar mais graxa por garantia. E pouca coisa estraga tanto rolamento. Graxa de menos e graxa de mais matam o rolamento por caminhos diferentes, e os dois deixam rastro que dá para medir.
O que a falta faz
Sem película suficiente, as esferas ou os rolos tocam a pista. Começa o desgaste por contato metálico: a superfície fica fosca, surgem microtrincas e, depois, lascamento. Na vibração, o primeiro sinal aparece em alta frequência, muito antes de a temperatura subir ou de o ouvido perceber. É o estágio em que a correção ainda é barata: relubrificar e acompanhar.
O que o excesso faz
Graxa demais enche a caixa. Os elementos rolantes passam a bater e empurrar a massa de graxa a cada volta, o atrito interno sobe e o rolamento esquenta. Com calor, a graxa perde óleo mais depressa, oxida e endurece, e o resultado final é o mesmo da falta: lubrificação ruim. Em motor elétrico há um agravante: o excesso pode ser empurrado para dentro do motor e alcançar o enrolamento.
O sinal típico é a temperatura do mancal subindo logo depois da relubrificação e baixando devagar, conforme a graxa se acomoda ou é expulsa pela vedação.
Quanto de graxa
Os fabricantes de rolamentos usam uma conta simples para a quantidade de relubrificação pela lateral do rolamento:
Quantidade (g) = 0,005 × D × B
em que D é o diâmetro externo e B é a largura do rolamento, os dois em milímetros. Um rolamento 6310, com 110 mm de diâmetro externo e 27 mm de largura, pede cerca de 15 g por relubrificação. É ponto de partida, não lei: o catálogo do fabricante do rolamento e o manual da máquina mandam.
De quanto em quanto tempo
O intervalo de relubrificação cai quando sobe qualquer uma destas variáveis:
- rotação, porque a graxa trabalha mais;
- tamanho do rolamento, pela mesma razão;
- temperatura de operação, que acelera a oxidação da graxa: pela regra prática dos fabricantes, cada 15 °C acima de 70 °C corta o intervalo pela metade;
- contaminação por poeira e umidade;
- vibração e carga de choque.
Os fabricantes publicam diagramas que partem da rotação e do diâmetro e aplicam fatores de correção para essas condições. O que nenhum diagrama sabe é a condição real daquele mancal na sua planta.
A dose certa aparece no dado
É aqui que o monitoramento fecha a conta. Com um sensor de vibração e temperatura no mancal:
- vibração de alta frequência subindo e voltando ao normal depois da relubrificação indica que faltava lubrificante;
- temperatura subindo logo depois da relubrificação indica excesso;
- nada muda indica que o intervalo talvez possa ser alongado.
Relubrificar pela condição, e não só pelo calendário, é aplicar a manutenção preditiva à tarefa mais barata da fábrica.
A dose pequena e frequente
Dividir a quantidade em doses menores e mais frequentes mantém a película sem encher a caixa. É o que o lubrificador automático faz melhor que a rota manual: a mesma quantidade por mês, em muitas doses em vez de uma.
Onde a IoTData entra
O sensor de vibração sem fio mede vibração nos três eixos e temperatura no mancal, e o lubrificador automático de fabricação própria registra cada dose e o nível do reservatório. No mesmo painel, dá para ver a dose e o efeito dela. Veja lubrificação automática e o sensor de vibração.
Fontes: recomendações de relubrificação dos fabricantes de rolamentos (quantidade 0,005 × D × B pela lateral; redução do intervalo com a temperatura acima de 70 °C); ISO 15243 (danos e falhas em rolamentos: termos, características e causas); literatura de análise de vibração em rolamentos (sinais de alta frequência na falta de lubrificação).
Lubrificador automático com nível e acionamento no painel.
Dose certa no ponto certo, alerta antes de acabar e histórico para a auditoria. Um engenheiro nosso diz onde o automático rende mais.