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Silvicultura

Monitoramento de incêndio florestal no eucalipto: o que medir e onde

A Fórmula de Monte Alegre, a regra dos 30, onde instalar a estação e a diferença entre prever o risco e detectar o foco.

Engenharia Data Frontier· Publicado em 10 de setembro de 2026

Monitorar incêndio florestal é fazer duas coisas diferentes, que costumam ser confundidas: prever o risco, para a brigada estar pronta antes, e detectar o foco, para combater cedo. Cada uma usa uma ferramenta. Este artigo trata das duas, com ênfase na primeira, que é onde a estação meteorológica da fazenda muda o jogo.

Prever o risco: o tempo diz quando o fogo pega

O fogo depende de combustível seco, ar seco, calor e vento. Numa floresta plantada, o combustível está sempre lá (folhas, galhos, casca, sub-bosque); o que muda de um dia para o outro é o tempo. Por isso os índices de perigo de incêndio são, no fundo, contas sobre dados meteorológicos.

A regra dos 30. Uma regra prática conhecida das brigadas: temperatura acima de 30 °C, umidade relativa abaixo de 30% e vento acima de 30 km/h juntos formam o dia mais perigoso. É simples e ajuda na conversa, mas não acumula a secura de vários dias.

A Fórmula de Monte Alegre (FMA). O índice brasileiro mais usado por empresas florestais, proposto por Ronaldo Soares em 1972 a partir dos registros de incêndio da Fazenda Monte Alegre, no Paraná. A FMA soma, dia após dia desde a última chuva significativa, o inverso da umidade relativa medida às 13 horas. Quanto mais dias secos seguidos e mais baixa a umidade da tarde, maior o número. A chuva do dia abate ou zera o acumulado, conforme a quantidade. O resultado é enquadrado em classes de perigo, do nulo ao muito alto.

A FMA+, proposta depois, acrescenta a velocidade do vento, que acelera a propagação.

Por que a estação precisa ser da fazenda

A FMA é sensível à umidade das 13 horas e à chuva de cada dia. A estação oficial mais próxima pode estar a dezenas de quilômetros, noutra altitude, com outra chuva. Uma pancada que caiu na cidade e não caiu no talhão zera o índice errado. Com estação na fazenda, o índice é da fazenda, calculado todo dia sem ninguém anotar.

Onde instalar e o que medir

  • Em área aberta, longe de árvore e de construção, que distorcem vento e chuva.
  • Temperatura e umidade em abrigo, na altura padrão de observação meteorológica, entre 1,25 m e 2 m do chão.
  • Vento a 10 m de altura, o padrão da Organização Meteorológica Mundial. Em área plantada, isso quer dizer mastro alto ou clareira grande.
  • Chuva em pluviômetro nivelado, sem obstáculo acima.

Uma estação por fazenda é o mínimo; fazendas grandes ou com relevo movimentado pedem mais de uma.

Do número ao alerta

O índice só previne se chegar à brigada. O fluxo que funciona:

  1. A estação mede e envia; a plataforma calcula o índice por fazenda.
  2. Quando a classe sobe, sai um aviso no WhatsApp da brigada e do gestor, uma vez, na mudança de nível.
  3. Em risco alto: caminhão-pipa abastecido e posicionado, aceiros revisados, vigilância reforçada e restrição a atividades que geram faísca.

Detectar o foco é outra ferramenta

A estação não vê fumaça. Para detecção existem torres de observação, câmeras com análise de imagem e o monitoramento de focos de calor por satélite, como o do Programa Queimadas do INPE, aberto ao público. O índice diz quando vigiar com mais atenção; a detecção diz onde o fogo começou.

A lei agora trata disso

A Lei 14.944/2024 instituiu a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, com prevenção, monitoramento e resposta a incêndios florestais como eixos. Para quem planta floresta, medir o risco na própria área é a parte da prevenção que depende só de você.

Onde a IoTData entra

Fazemos a estação meteorológica e a plataforma que calcula o índice e avisa a brigada. Onde não há sinal de celular, o dado segue por rádio LoRa até um ponto com sinal ou pela rede satelital DG, que entrega em até um dia; para alerta imediato, o levantamento aponta onde vale ter sinal. Veja IoT para silvicultura.

Fontes: R. V. Soares, Fórmula de Monte Alegre (UFPR, 1972) e FMA+ (Nunes, 2005); Organização Meteorológica Mundial, guia de instrumentos (vento a 10 m; temperatura e umidade entre 1,25 m e 2 m); INPE, Programa Queimadas; Lei 14.944, de 31 de julho de 2024.

Na prática

Estação, rastreador e alerta de incêndio na floresta plantada.

Chuva, umidade, vento e dias sem chuva por fazenda, máquinas no mapa e alerta no WhatsApp da brigada. Um engenheiro nosso diz o que cabe na sua área.