Carga refrigerada: como monitorar a temperatura do baú e o que a RDC 430 exige
Onde colocar o sensor, registrador ou telemetria, calibração, excursão de temperatura e o que a Anvisa pede para medicamento.

Transportar carga refrigerada é vender uma promessa: a de que a temperatura ficou na faixa do começo ao fim. O cliente quer a prova, e, para medicamento, a Anvisa também. Este artigo trata de como medir a temperatura do baú de um jeito que prova e do que a RDC 430 pede.
O baú mantém, não resfria
O equipamento de frio do baú foi feito para manter a temperatura de uma carga que já entrou na temperatura certa. Carga embarcada quente vai demorar horas para chegar à faixa, se chegar. Dois cuidados antes de qualquer sensor:
- Pré-resfriar o baú antes de carregar.
- Conferir a temperatura da carga no embarque, não só a do baú.
Onde colocar o sensor
O ar não tem a mesma temperatura no baú inteiro. Perto da saída do evaporador é mais frio; perto da porta, no fundo e no alto, mais quente. Um sensor só, colado na saída do frio, mostra um baú perfeito enquanto a carga perto da porta esquenta.
- Em baú curto, um sensor no ar de retorno ou no ponto mais quente mapeado.
- Em baú longo ou com carga sensível, dois ou mais sensores: perto do frio e perto da porta.
- Para medicamento, a posição sai do mapeamento térmico (qualificação) do veículo ou da embalagem.
Registrador ou telemetria
Registrador de dados (data logger). Grava a temperatura e é descarregado no fim da viagem. Prova o que aconteceu, mas só depois; se a temperatura saiu da faixa no caminho, ninguém soube a tempo.
Telemetria. Envia a temperatura durante a viagem e avisa quando sai da faixa. Permite agir: o motorista confere a porta, a central muda o plano, o cliente é avisado antes.
As duas não se excluem; muitas operações usam o registrador como prova oficial e a telemetria para agir.
Excursão: o alerta que importa
Toda porta aberta na descarga faz a temperatura subir por alguns minutos. Alerta a cada leitura fora da faixa gera dezenas de avisos inúteis. O alerta útil é por excursão: fora da faixa por mais tempo que o combinado (por exemplo, acima de 8 °C por mais de 10 minutos). Faixa e tempo são definidos com o cliente e com a qualidade.
O que a RDC 430 pede para medicamento
A RDC 430/2020 da Anvisa trata das Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e Transporte de Medicamentos. Para o transporte, ela exige, em resumo:
- monitorar as condições de temperatura durante o transporte, conforme a especificação do medicamento;
- usar instrumentos calibrados;
- manter os registros e tratar os desvios;
- qualificar veículos, rotas e embalagens quanto ao desempenho térmico.
A RDC 653/2022 estendeu os prazos de adequação, e o último terminou em março de 2024. Hoje, quem transporta medicamento precisa estar adequado.
Calibração
Sensor sem calibração mede, mas não prova. Para medicamento, e cada vez mais para alimento de cliente exigente, peça certificado de calibração rastreável, com a data e o próximo vencimento, e mantenha o controle de quando cada sensor precisa ser recalibrado.
Onde a IoTData entra
Sensor de temperatura no baú, registro contínuo, alerta por excursão e relatório por viagem, junto com a posição do veículo. Se o conjunto atende ao seu procedimento de boas práticas é conferido no levantamento, com a sua qualidade. Veja rastreamento de carga e temperatura para logística.
Fontes: Anvisa, RDC 430/2020 (Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e Transporte de Medicamentos) e RDC 653/2022 (prorrogação dos prazos, com prazo final em 16/03/2024).
Posição, temperatura e espera registradas com hora.
Cerca em cada cliente, baú monitorado e alerta para a central. Um engenheiro nosso diz o que a sua operação precisa e quanto custa.