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Robótica e drones

Coleta de dados com drone: do voo à plataforma

O caminho do dado aéreo na fazenda ou na planta: plano de voo, sensores RGB, multiespectral e térmica, o que sai do processamento (ortomosaico, NDVI, pontos de temperatura) e como isso entra por API na mesma plataforma dos sensores fixos. Com as regras da ANAC e do DECEA que valem em 2026.

Engenharia Data Frontier· Publicado em 8 de setembro de 2026

Um drone é um sensor que se move. Ele passa sobre o talhão ou sobre a planta industrial e traz de volta imagens que, processadas, viram um mapa com números: vigor da lavoura, temperatura de cada ponto, relevo, área. O valor desse dado aparece quando ele é colocado ao lado do que os sensores fixos já medem, no mesmo painel e na mesma linha do tempo.

Este artigo descreve o fluxo inteiro, do plano de voo à plataforma. Não vendemos drone de prateleira: projetamos o embarcado quando o projeto pede e integramos o dado de qualquer aeronave na plataforma. Por isso o texto é sobre o dado, não sobre o modelo.

Plano de voo

Antes de decolar, define-se o que se quer medir, e disso sai o plano:

  • Área e altura. Altura menor dá mais detalhe por pixel (o GSD, tamanho do pixel no chão) e mais fotos para cobrir a mesma área.
  • Sobreposição. Para montar um mosaico, cada foto precisa se sobrepor às vizinhas; valores na faixa de 70 a 80% na direção do voo e 60 a 70% lateral são usuais em fotogrametria agrícola, e o software de processamento indica o que precisa.
  • Hora do dia. Multiespectral pede sol alto e céu estável; térmica em lavoura funciona melhor com estresse hídrico visível, no meio do dia, ou ao amanhecer para diferenças de solo.
  • Pontos de controle. Alvos no chão com coordenada conhecida, quando a precisão de posição importa (área, volume, projeto).

O plano vira uma rota automática. O piloto acompanha, não pilota.

Sensores

  • RGB. A câmera comum. Dá o ortomosaico visual, o modelo de relevo e a contagem de plantas ou de falhas na linha.
  • Multiespectral. Bandas separadas: vermelho, borda do vermelho (red edge), infravermelho próximo (NIR). Permite calcular índices de vegetação. O mais conhecido é o NDVI = (NIR − Vermelho) / (NIR + Vermelho), que vai de −1 a 1 e sobe com a biomassa verde.
  • Térmica. Radiômetro no infravermelho de onda longa. Mede a temperatura da superfície: folha estressada esquenta, mancha molhada esfria, conexão elétrica ruim esquenta.

O que sai do voo

O processamento fotogramétrico junta as centenas de fotos e produz:

  • Ortomosaico: uma imagem só, corrigida, georreferenciada.
  • Modelo digital de superfície e de terreno, para relevo, drenagem e volume de pilhas.
  • Mapas de índice (NDVI e outros), por pixel e resumidos por talhão, por zona ou por linha do pivô.
  • Pontos de temperatura, com coordenada, para inspeção de painéis, subestações, tubulações e telhados.
  • Detecções: falhas de plantio, plantas daninhas, anomalias térmicas, marcadas por posição.

Tudo isso são arquivos grandes. O que interessa à plataforma não é a imagem inteira; são os números por área e por ponto, com data, hora e coordenada.

Como entra na plataforma

A plataforma recebe dados por API, de qualquer origem. Para o drone, o fluxo que integramos é:

  1. O software de processamento exporta os resumos: índice médio e mínimo por zona, lista de anomalias com coordenada e temperatura, área medida.
  2. Um conector envia isso à API, associando cada número a uma entidade já cadastrada: o talhão, o pivô, a string de painéis, o equipamento.
  3. A plataforma grava o valor com a hora do voo e o coloca na mesma série temporal dos sensores fixos: estação meteorológica, umidade do solo, vazão do pivô, horímetro, sensor de vibração.

O resultado é que o NDVI do talhão aparece ao lado da ETo e da lâmina aplicada naquela semana. A anomalia térmica no painel aparece ao lado da queda de corrente da string. O drone confirma o que o sensor fixo apontou, ou aponta o que o sensor fixo não vê.

O que a lei exige para voar

Desde 16 de junho de 2026 vale o RBAC 100 da ANAC, aprovado pela Resolução nº 805/2026, que substituiu o RBAC-E 94. O regulamento classifica a operação por risco, em três categorias:

  • Aberta: aeronave até 25 kg, voo em linha de visada, até 120 m de altura e a pelo menos 30 m de pessoas não envolvidas. Não precisa de autorização operacional da ANAC. É onde cabe a maior parte do mapeamento agrícola e da inspeção.
  • Específica: quando algum limite da aberta não é atendido, como voo além da linha de visada. Exige autorização da ANAC.
  • Certificada: operações de alto risco.

Além da categoria:

  • SISANT. Cadastro da aeronave na ANAC, obrigatório acima de 250 g, com o código visível no drone.
  • SARPAS. Toda operação precisa de solicitação de acesso ao espaço aéreo no sistema do DECEA, regida pela ICA 100-40, cuja versão de 2026 está em vigor desde 1º de julho. Perto de aeródromo a distância mínima cresce com a altura.
  • Anatel. O rádio do drone e do controle precisam de homologação.
  • Seguro de danos a terceiros para operação não recreativa, com exceções listadas no regulamento.
  • Exame teórico do piloto remoto na ANAC, com exigência em fiscalização a partir de 2027.

Essas regras mudaram recentemente e podem mudar de novo. Antes de contratar ou operar, confira o texto vigente no site da ANAC e do DECEA.

O que fazer agora

  1. Defina a pergunta que o voo responde: falha de plantio, estresse hídrico, painel quente, volume de pilha. O sensor e o plano saem disso.
  2. Confira se a operação cabe na categoria aberta. Se cabe, o custo regulatório é baixo.
  3. Decida onde o dado vai morar. Um mapa no computador do piloto se perde; um número na plataforma, ao lado dos sensores fixos, vira histórico.

Se quiser discutir um projeto, fale com um engenheiro nosso.


Fontes: RBAC 100, aprovado pela Resolução ANAC nº 805, de 15 de junho de 2026; Resolução ANAC nº 806/2026 (aeronaves até 250 g); ICA 100-40 do DECEA, edição de 2026; página do SISANT (ANAC) e do SARPAS (DECEA); Rouse et al. (1974), definição do NDVI.

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